Industrialização, Serdia, Soluções

Conformal coating: proteção para placas eletrônicas offshore

Conformal coating é um revestimento polimérico fino aplicado sobre placas eletrônicas para criar uma barreira contra umidade, salinidade, poeira e contaminantes químicos, sem interferir no funcionamento do circuito. Em ambientes marítimos e offshore, onde a névoa salina acelera a corrosão dos componentes, essa camada protetiva é o que separa um equipamento confiável de uma falha programada.

A corrosão custa ao mundo cerca de USD 2,5 trilhões por ano, segundo o estudo IMPACT da NACE International, e os ativos marítimos e offshore carregam uma fatia desproporcional dessa conta. No transporte, o prejuízo chega a USD 29,7 bilhões anuais, dos quais USD 2,7 bilhões apenas em embarcações

O mesmo levantamento aponta que 90% das falhas em navios têm a corrosão como causa. A química por trás disso é implacável: o íon cloreto presente na água do mar e na névoa salina penetra filmes protetores, rompe camadas de óxido passivo e ataca o metal por baixo. 

Sendo assim, uma placa eletrônica sem proteção adequada, instalada numa plataforma, numa embarcação ou num equipamento costeiro, está exposta a esse ataque desde o primeiro dia de operação. 

E numa plataforma a centenas de quilômetros da costa, substituir uma placa que falhou envolve logística de helicóptero, janela de manutenção e parada de sistema. O custo do reparo se multiplica pela distância.

Como a corrosão afeta placas eletrônicas e equipamentos

Revisão publicada na Frontiers in Materials em 2025 mapeou os mecanismos de degradação de materiais eletrônicos em ambiente marinho e identificou quatro frentes principais de falha: corrosão por névoa salina, plastificação higroscópica por umidade elevada, fadiga termomecânica por ciclos térmicos e fratura por choque mecânico. Nas placas eletrônicas, esses mecanismos se traduzem em problemas concretos.

O íon cloreto se difunde através de filmes líquidos finos que se formam sobre a superfície da placa e ataca pontos vulneráveis do metal, criando pites de corrosão que concentram tensão mecânica. A partir daí, o processo se retroalimenta. 

A corrosão degrada a resistência dos condutores de cobre, reduz a resistividade dos substratos de epóxi e provoca falhas de isolamento no circuito. Produtos de corrosão metálica podem formar pontes condutivas entre trilhas adjacentes, gerando curtos-circuitos onde antes havia isolamento.

A umidade constante agrava o quadro por outra via: penetra nos materiais poliméricos do encapsulamento, enfraquece a adesão entre camadas e provoca delaminação. Juntas de solda submetidas a ciclos térmicos diários, sol forte durante o dia e resfriamento à noite, acumulam fadiga que evolui para trincas.

O sintoma inicial raramente é uma falha completa. Começa com leituras erráticas de sensores, perda intermitente de comunicação, reinicializações sem causa aparente. 

Sintomas que consomem horas de diagnóstico porque somem quando o equipamento chega à bancada. Quando a falha definitiva acontece, o dano acumulado já comprometeu componentes que nem apareciam nos registros de manutenção. 

Para operações críticas, plataformas de petróleo, sistemas de navegação, equipamentos de segurança, esse padrão de degradação silenciosa representa risco operacional e financeiro que cresce a cada mês de exposição.

O que é conformal coating e como essa tecnologia funciona?

O conformal coating é uma película polimérica com espessura típica entre 25 e 250 micrômetros, aplicada sobre a superfície da placa montada. O nome vem do comportamento do material: ele se conforma à topografia da placa, cobrindo trilhas, componentes e soldas com uma camada contínua que acompanha cada relevo do circuito.

A aplicação pode ser feita por spray, pincel, imersão ou por sistemas de deposição seletiva automatizada, que aplicam o revestimento apenas nas áreas definidas em projeto, preservando conectores e pontos de teste. Após a cura, que varia conforme a química do material, a placa ganha uma barreira física entre o circuito e o ambiente.

Os benefícios diretos:

  • Bloqueio de umidade e névoa salina, impedindo a formação dos filmes líquidos que servem de via para o íon cloreto
  • Resistência à corrosão, protegendo trilhas de cobre, terminais de componentes e juntas de solda do contato com agentes oxidantes
  • Barreira contra contaminantes, incluindo poeira condutiva, névoa de óleo e vapores químicos presentes em ambientes industriais e marítimos
  • Aumento da rigidez dielétrica, reduzindo risco de arco e corrente de fuga entre trilhas próximas
  • Extensão da vida útil do equipamento, com redução mensurável da taxa de falhas em campo ao longo do ciclo de operação

A qualificação desses materiais segue a norma IPC-CC-830, que substitui a antiga especificação militar MIL-I-46058C e submete os revestimentos a ensaios de choque térmico, saturação de umidade, resistência a fungos, flamabilidade e rigidez dielétrica. A escolha da química certa depende do ambiente de operação:

Tipo de coating Pontos fortes Melhor aplicação
Acrílico (AR) Baixo custo, fácil aplicação e retrabalho, boa proteção contra umidade Ambientes moderados, equipamentos que exigem manutenção em campo
Poliuretano (UR) Alta resistência química e à abrasão, forte adesão em baixas temperaturas Ambientes com exposição a solventes, combustíveis e névoa salina
Silicone (SR) Opera de -65°C a 200°C, flexibilidade elevada, excelente resistência à umidade Ciclos térmicos severos, proximidade de fontes de calor
Epóxi (ER) Máxima resistência mecânica, química e à umidade Ambientes extremos onde retrabalho não é prioridade
Parileno (XY) Cobertura ultrafina e uniforme por deposição a vapor, penetra geometrias complexas Aplicações críticas de aeroespacial, defesa e implantáveis médicos

Para ambientes marítimos e offshore, poliuretano e silicone costumam ser as escolhas dominantes, pela combinação de resistência à névoa salina, estabilidade em ciclos térmicos e durabilidade sob abrasão. 

A validação em ensaios de névoa salina conforme ASTM B117, com exposição contínua a neblina de cloreto de sódio a 35°C por centenas de horas, é o método consagrado para comprovar o desempenho do conjunto placa e revestimento antes do embarque.

Onde o conformal coating é mais utilizado?

A proteção por revestimento acompanha o nível de criticidade da operação. Quanto maior o custo de uma falha, seja em parada de produção, risco de segurança ou logística de reparo, mais o coating deixa de ser opcional.

Segmento Condição agressiva O que está em jogo
Marítimo e offshore Névoa salina, umidade permanente, ciclos térmicos Sistemas de navegação, controle de plataformas, equipamentos de segurança com manutenção de altíssimo custo
Energia Intempéries, poluição industrial, variação térmica em subestações e parques eólicos Continuidade de fornecimento e proteção de ativos de transmissão
Telecomunicações Estações externas expostas a chuva, poeira e maresia em torres costeiras Disponibilidade de rede e cobertura de serviços essenciais
Automotivo Névoa de sal de estradas, fluidos, vibração e calor sob o capô Módulos de controle que operam de -40°C a 125°C com exigência de confiabilidade total
Ferroviário Vibração contínua, poeira metálica, exposição a intempéries Sistemas de sinalização e controle onde falha compromete segurança operacional
Automação industrial Névoa de óleo, particulados condutivos, umidade de processo Disponibilidade de linha e proteção de CLPs, inversores e sensores

Proteção eletrônica como estratégia de confiabilidade

Existe uma conta que raramente é feita na especificação de um equipamento para ambiente severo: o custo da proteção contra o custo da exposição. O coating adiciona uma etapa ao processo produtivo e um custo unitário à placa. 

A ausência dele adiciona falhas em campo, e falha em campo offshore tem aritmética própria: mobilização de equipe especializada, transporte para local remoto, janela de parada do sistema e, em operações de energia ou petróleo, penalidades contratuais por indisponibilidade.

Equipamentos protegidos apresentam menor taxa de falha ao longo do ciclo de vida, maior intervalo entre manutenções e maior previsibilidade operacional. 

Para o fabricante do equipamento, isso se converte em menos acionamentos de garantia, menos logística reversa e uma reputação de robustez que pesa em processos de qualificação de fornecedores, especialmente em setores onde o histórico de confiabilidade é critério eliminatório.

E existe um detalhe técnico que muda a qualidade do resultado: o coating precisa ser aplicado dentro do processo de manufatura, com controle de espessura, cobertura verificada e cura parametrizada. 

Revestimento aplicado de forma irregular deixa áreas expostas que concentram umidade exatamente onde a proteção falhou, criando pontos de corrosão localizada piores do que os de uma placa uniformemente exposta. 

Proteção de verdade começa na linha de produção, com processo documentado e inspeção de cobertura, e não como um retrabalho improvisado depois que as falhas começaram.

Leia também:

Serdia Eletrônica: processos especiais para aplicações de alta exigência

A Serdia Eletrônica executa processos especiais de proteção, incluindo conformal coating, vernizes e resinas de encapsulamento, integrados à sua linha de manufatura de placas eletrônicas. 

O revestimento é aplicado com controle de processo, cobertura inspecionada e rastreabilidade de lote, dentro do mesmo fluxo produtivo que inclui montagem SMT de precisão, inspeção óptica automatizada (AOI) e testes funcionais. A integração elimina o risco de placas protegidas de forma irregular e assegura que cada unidade saia da linha com a barreira que o ambiente de destino exige.

São mais de três décadas de manufatura eletrônica para segmentos que operam sob condições severas: energia, telecomunicações, automação industrial, mobilidade, ferroviário e healthcare. 

A empresa mantém certificação ISO 9001 desde 1998, primeira EMS do Brasil na versão 2015, além de ISO 13485, autorização da Anvisa e Certificado de Conformidade Ex do INMETRO, que atesta capacidade de fabricar produtos para atmosferas potencialmente explosivas, credencial diretamente relevante para aplicações em petróleo, gás e ambientes offshore.

Seu equipamento vai operar perto do mar, em plataforma ou em ambiente severo? A equipe da Serdia pode avaliar o projeto e indicar o processo de proteção mais adequado para a aplicação. Entre em contato e solicite uma análise.

Gostou? Compartilhe este artigo!

Artigos Relacionados

Fique por dentro das novidades!
Cadastre seu e-mail em nossa newsletter

serdia

SIGA-NOS

MATRIZ

Rua José Altair Possebom, 130, Parque do Software, CIC. Curitiba - Paraná - Brasil, CEP: 81.270-185
Telefone: +55 (41) 3239-8888

FILIAL

Rua José Leonardi, 280 - Aeroporto,
Pato Branco - Paraná - Brasil, CEP: 85503-000
Telefone: +55 (46) 3224-1761

CONTATO


Atendimento de Segunda a Sexta das 08h às 18h
rodape