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Confiabilidade eletrônica na automação industrial: como evitar falhas

Falhas de equipamento lideram a lista de causas de paradas não programadas na indústria, respondendo por 42% de todos os incidentes, à frente de erro humano, problemas de processo e falhas de software. 

O custo médio de uma hora de linha parada em operações industriais de grande porte chega a 260 mil dólares, segundo levantamento da Aberdeen Research citado pela Reliamag. Em plantas automotivas, esse número sobe para USD 2,3 milhões por hora, conforme o Siemens True Cost of Downtime 2024.

Por trás de boa parte dessas paradas existe um componente eletrônico que falhou. Um sensor que perdeu calibração, um CLP que apresentou falha intermitente, um inversor de frequência que desligou fora do esperado. 

A eletrônica embarcada nos sistemas de automação industrial opera em condições que testam continuamente a integridade de qualquer placa, e confiabilidade nesse contexto não é atributo de marketing: é o que separa uma planta que produz de uma planta que para.

Onde surgem as falhas em sistemas eletrônicos industriais?

Falhas em eletrônica industrial raramente acontecem de forma súbita. A maioria resulta de degradação progressiva causada por fatores ambientais e operacionais que atuam sobre a placa ao longo do tempo. 

Compreender cada um deles é o ponto de partida para estruturar sistemas mais confiáveis:

1. Variação de temperatura

Ciclos repetidos de aquecimento e resfriamento submetem as juntas de solda, os substratos e os componentes a tensão mecânica cumulativa. 

Cada ciclo térmico expande e contrai os materiais em taxas diferentes, gerando microfissuras que progridem silenciosamente até produzir uma falha aberta. Em ambientes industriais com fontes de calor próximas, ventilação inadequada ou variações bruscas entre turnos de operação e parada, esse mecanismo de degradação é especialmente acelerado.

2. Vibração constante

Máquinas em operação transmitem energia mecânica às estruturas onde as placas estão instaladas. Essa vibração acumula fadiga nas juntas de solda de componentes pesados, nos pontos de fixação de conectores e nas trilhas próximas a furos de montagem. 

Falhas por fadiga mecânica se manifestam como circuitos abertos intermitentes: o equipamento funciona, para, volta a funcionar, criando um padrão de falha difícil de reproduzir no banco de teste e custoso para diagnosticar em campo.

3. Umidade e contaminação

Ambientes industriais com névoa de óleo, poeira condutiva, fluidos de corte ou alta umidade relativa criam condições para corrosão de trilhas, migração eletroquímica entre pistas adjacentes e redução da resistência de isolamento de superfície. 

Segundo pesquisa publicada na MDPI Applied Sciences, ciclos combinados de temperatura e umidade são causa direta de falhas propagantes em placas eletrônicas, com início em caminhos resistivos formados por contaminação iônica.

4. Interferência eletromagnética (EMI)

Motores de grande porte, inversores de frequência, fontes chaveadas e sistemas de acionamento geram ruído elétrico que se propaga tanto por condução quanto por irradiação. 

Placas sem proteção adequada contra EMI apresentam comportamento errático, erros de comunicação e falhas intermitentes que não deixam rastro nos logs do sistema. Em redes industriais com protocolo de comunicação sensível a timing, como EtherCAT e Profinet, esse tipo de interferência compromete a sincronização de todo o sistema de controle.

5. Desgaste ao longo do tempo

Componentes eletrônicos têm vida útil definida por horas de operação, ciclos térmicos e condições de uso. Capacitores eletrolíticos degradam com temperatura e tempo. Conectores submetidos a microvibrações desenvolvem oxidação nos contatos. 

Semicondutores operados próximos ao limite de tensão ou temperatura acumulam degradação que reduz margem de segurança antes de gerar falha. Sistemas de automação que não têm histórico de rastreabilidade dos componentes instalados não conseguem antecipar quando esses limites estão sendo atingidos.

Como evitar falhas desde a produção até a operação?

O processo de fabricação define, em grande medida, o quanto a placa vai resistir às condições que vai encontrar em campo.

1. Controle o processo de fabricação: juntas de solda formadas com perfil de temperatura incorreto durante o reflow apresentam microfissuras internas que não aparecem na inspeção óptica, mas progridem sob ciclos térmicos até gerar falha aberta.

Componentes armazenados fora das condições especificadas pelas normas J-STD-033 e J-STD-020, com umidade acima de 60% ou temperatura fora da faixa de 15°C a 25°C, chegam ao processo de soldagem já comprometidos.

Conformal coating com cobertura irregular deixa áreas expostas que acumulam umidade e favorecem corrosão localizada. Parametrização de reflow documentada, inspeção óptica automática integrada ao fluxo produtivo, armazenamento controlado de componentes e rastreabilidade completa de lote criam a base de confiabilidade que nenhum processo de manutenção em campo consegue compensar retroativamente.

2. Revise o projeto antes da produção: componentes especificados fora da faixa de temperatura de operação do ambiente industrial vão falhar antes do esperado. Footprints sem acesso adequado para inspeção e teste dificultam a detecção de defeitos durante a fabricação.

Layouts sem atenção a EMI criam vulnerabilidades que só aparecem quando o sistema está em campo, próximo a fontes de interferência reais. A revisão de DFM antes do início da produção identifica esses pontos e permite corrigi-los antes de o custo se multiplicar.

3. Considere as condições reais de instalação e operação: fixação mecânica adequada reduz a transmissão de vibração à placa. Ventilação dimensionada para o ambiente controla a temperatura dos componentes dentro da faixa especificada.

Proteção adicional com conformal coating ou encapsulamento com resinas é indicada para ambientes com umidade, poeira ou névoa química. Inspeção periódica das placas em campo permite identificar sinais precoces de corrosão, depósito de contaminantes e desgaste de conectores antes que virem falha não programada.

O impacto da baixa confiabilidade na automação industrial

Uma parada não programada por falha eletrônica nunca custa apenas o valor do componente que falhou. O custo real se distribui por toda a operação e se acumula enquanto a linha permanece parada.

Consequência Impacto prático
Parada de produção Custo médio de USD 125.000 por hora em operações industriais, segundo levantamento da ABB com mais de 3.200 gestores de manutenção globais
Aumento de custos operacionais Manutenção corretiva emergencial custa entre 3 e 9 vezes mais do que manutenção preventiva planejada, segundo o U.S. Department of Energy
Falhas em processos críticos Sistemas de controle de segurança, monitoramento de processo e automação de linha perdem integridade quando a eletrônica embarcada falha, comprometendo a rastreabilidade e a conformidade regulatória
Riscos de segurança Falhas em sistemas de acionamento, proteção de motor e controle de processo podem gerar condições inseguras para equipamentos e operadores
Perda de eficiência acumulada Falhas intermitentes que não param completamente a linha reduzem OEE sem gerar alarme formal, consumindo capacidade produtiva de forma invisível

Segundo o Siemens True Cost of Downtime 2024, o custo de paradas não programadas cresceu 62% em relação a 2019, mesmo com redução de 40% no número de incidentes. Cada falha individual ficou mais cara, porque os sistemas industriais modernos são mais integrados e uma parada em um ponto se propaga com mais velocidade para o restante da operação.

Confiabilidade como fator estratégico na indústria

Gestores industriais que tratam confiabilidade eletrônica como custo de manutenção estão medindo o problema errado. O custo de uma placa confiável é fixo e previsível. O custo de uma falha em campo é variável, urgente e frequentemente superior ao custo de toda a produção que aquela placa já processou.

Segundo levantamento da UpKeep com dados de múltiplas plantas industriais, manutenção preditiva está associada à menor taxa de paradas não programadas, 5,42% dos incidentes, comparada a 8,43% em operações que operam no modelo reativo. 

Apesar disso, 67% dos fabricantes ainda dependem principalmente de manutenção reativa. A confiabilidade da eletrônica embarcada nos sistemas de automação é o que define se a operação vai conseguir sair do modelo reativo ou continuar gerenciando crises.

Empresas que investem em qualidade eletrônica desde a especificação e a fabricação dos componentes constroem operações com maior disponibilidade de linha, menor custo de manutenção e maior previsibilidade de entrega.

Em mercados industriais onde contratos têm penalidades por atraso e clientes avaliam fornecedores por consistência operacional, essa previsibilidade é um diferencial com impacto direto na receita.

Leia também:

Serdia Eletrônica: confiabilidade para sistemas que não podem falhar

A Serdia Eletrônica atua na manufatura e integração de placas eletrônicas para empresas que desenvolvem sistemas de automação industrial e equipamentos para aplicações críticas. 

Com mais de 35 anos de experiência em manufatura eletrônica especializada, a empresa executa projetos de clientes com processos controlados que consideram confiabilidade desde a primeira etapa do ciclo produtivo: 

  • Controle rigoroso de armazenamento de componentes conforme J-STD-033 e J-STD-020
  • Montagem SMT de precisão com parametrização documentada
  • Inspeção óptica automatizada
  • Testes funcionais que simulam condições reais de operação
  • Processos especiais de proteção como conformal coating e encapsulamento com resinas
  • Rastreabilidade completa de cada lote produzido

A Serdia detém certificação ISO 9001 desde 1998, sendo pioneira no Brasil como EMS a obter a versão 2015, além de ISO 13485 para dispositivos médicos, Certificado de Conformidade Ex do INMETRO para ambientes potencialmente explosivos e autorização da Anvisa para fabricação de produtos médicos. 

O portfólio habilita a empresa a atender aplicações onde a confiabilidade eletrônica tem consequências diretas sobre segurança operacional, continuidade produtiva e conformidade regulatória.

Seu sistema de automação depende de eletrônica que não pode falhar? A equipe da Serdia está preparada para analisar sua demanda e estruturar a solução de manufatura mais adequada para a sua aplicação. Entre em contato e solicite uma análise.

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